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Os Comportamentos e suas Intenções

O Comportamento de um Ser Humano, não importa quão indesejável possa parecer à primeira vista, faz sentido quando é analisado no contexto onde foi gerado, ou seja, a partir do Sistema que o gerou, entendendo sistema como a pessoa que demonstrou o comportamento em questão.

Este é, provavelmente, um dos conceitos mais poderosos da comunicação humana e útil para entendermos porque as pessoas fazem o que fazem. Especialmente para pais, professores, chefes, pares, amantes, clientes etc... Procurar e encontrar a intenção positiva que acompanha qualquer comportamento.

Ainda que, um comportamento tenha para nós um aspecto problemático ou até mesmo prejudicial, é possível encontrar a intenção que o causou e compreender que essa intenção foi positiva para quem gerou o comportamento. Talvez tenha sido sua melhor escolha no momento. Uma criança tendo um acesso de mau humor, uma “fechada” no trânsito, uma resposta ríspida, um olhar insistente, um “chegar atrasado” sistemático etc... Todos esses exemplos têm uma intenção positiva que os move, que os explica.

De fato, o comportamento é gerado a partir de um estado interno emocional, nesse momento fazemos uma escolha e demonstramos o nosso estado emocional com um comportamento congruente com esse estado. O estado emocional, por sua vez, foi gerado a partir da interpretação que fizemos de um fato acontecido, visto ou vivido pela pessoa. A intenção positiva impulsiona esse comportamento. Ela tem de ser satisfeita e devemos separá-la do comportamento nas nossas análises das atitudes do outro.

Simples assim, a intenção positiva de um comportamento ou atitude é o que desejamos fazer ou realizar. Podemos dizer que é o motivo do nosso comportamento, sua razão de acontecer. Ela explica o comportamento, embora, muitas vezes, não o justifique.

Algumas intenções ficam fora do nosso nível consciente, as trazemos do passado e nem lembramos mais por quê fazemos o que fazemos consistentemente. Outras são tão óbvias que podem ser tratadas de imediato. A questão é que os comportamentos, quando negativos, quando socialmente questionáveis, têm suas intenções positivas em nível inconsciente e causam problemas que se tornam crônicos transformando-se em padrões repetitivos limitadores para o indivíduo.

Condenar um comportamento pura e simplesmente, nos torna um inimigo. Culpar, julgar, criticar sem uma análise da intenção do comportamento, nos faz receber uma reação defensiva, um afastamento ou, até mesmo, um contra-ataque, surgindo daí o conflito de interesses, a insatisfação, a intolerância e o conseqüente surgimento da dor.

Os Modelos construídos de como devemos agir nos distanciam do outro. Para nos aproximarmos do outro devemos desconstruir essa rigidez.

O Perdão não deveria ser necessário se compreendêssemos as atitudes do outro. Sabemos que as pessoas fazem as melhores escolhas disponíveis para ela no contexto que se apresenta.

O Relacionamento é então, uma Arte. A arte de ouvir com atenção, ou seja, escutar o que o outro tem a dizer, suas razões, seus interesses no momento, pois toda vez que estamos diante do outro estamos diante de um mistério. A imaginação faz esse mistério tomar forma. Olhar para o outro e ver o outro, não somente a função que ele desempenha: mãe, pai, irmão, amigo etc...

Eu abro o meu olhar e vejo as limitações do outro, respeitando-o. Assim, dou-lhe a chance de ser quem é, sem querer mudar-lhe, transformar-lhe, até porque, isso não é possível. O máximo que podemos fazer é mudarmos nós... e o outro muda, como aquele provérbio oriental: “Nada mudou, só eu mudei, então tudo mudou”.

Forte abraço!
Comentários para: mariojor@hotmail.com
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